Limpa Brasil Let’s do it!
O Limpa Brasil Let’s do it! é um movimento de cidadania e cuidado com o meio ambiente! A ideia é
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Destinos diferentes
Responda rápido: quantos computadores e impressoras você teve até hoje? E aparelhos de telefone celular?
Na Era Digital, com o rápido avanço da tecnologia e o crescente aumento do consumo, é raro encontrar alguém que não queira ter o último modelo de celular ou o computador mais moderno.
Porém, quando você decide trocar o seu aparelho eletrônico, vê apenas a possibilidade de se livrar de uma “sucata”, ou melhor, de um “lixo tecnológico”.
Afinal, aquele computador que você comprou na segunda metade da década passada, com um “moderno” leitor de CD/DVD, não passa de sucata perto dos atuais modelos “Tudo em Um”.
Nada contra você querer atualizar os seus equipamentos, muito pelo contrário.
Mas existem alguns dados importantes sobre o assunto: um deles é que equipamentos eletrônicos, como computadores, impressoras, carregadores de celular, pilhas e baterias que você descarta, têm, em sua composição, dezenas de substâncias que podem contaminar as outras pessoas, os animais e o meio ambiente, como metais pesados (chumbo, cádmio, mercúrio) e outros elementos tóxicos.
Por isso, o descarte deve ser feito de maneira adequada e nunca no lixo comum.
É provável também que você nunca tenha pensado que o seu lixo eletrônico pode se transformar em uma grande oportunidade de crescimento para outras pessoas, caso passe por uma reforma. E que talvez esta seja a única maneira que uma criança ou jovem de uma comunidade carente tenha para aprender a utilizar um computador.

Do lixo eletrônico aos recursos
Mas o mais importante nesta história é que você não está sozinho: assim como você, milhões de pessoas em todo o mundo estão fazendo a mesma coisa: trocando suas “sucatas” eletrônicas por aparelhos mais modernos.
O resultado disso é assustador: a geração global de lixo eletrônico cresce cerca de 40 milhões de toneladas por ano, de acordo com o relatório Recycling – from e-waste to resources (Reciclando – do lixo eletrônico aos recursos) publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Segundo o documento, o Brasil descarta 96,8 mil toneladas de computadores por ano.
O relatório analisa a situação do lixo eletrônico na África do Sul, Quênia, Uganda, Marrocos, Senegal, Peru, Colômbia, México, Brasil, Índia e China.

De acordo com o documento do PNUMA, os aparelhos eletrônicos possuem placas com circuitos eletrônicos que podem chegar a utilizar mais de 60 tipos de elementos químicos.
O crescimento do consumo no setor aumentou a utilização de recursos naturais para suprir esta necessidade e isto está levando a escassez destes recursos.
Por outro lado, o descarte inadequado de aparelhos obsoletos contamina o meio ambiente, pois estes elementos químicos ou são valiosos ou são tóxicos, ou ambos. As atividades de mineração consomem altas taxas de combustível, com alta geração de CO2, contribuindo negativamente para o efeito estufa.
Portanto, o mais sensato seria recuperar os metais utilizados nos aparelhos descartados do que produzir novos metais, ou seja, “minerar” o lixo eletrônico: uma tonelada de telefone celular sem bateria contém 3,5 quilos de prata, 340 gramas de ouro, 140 gramas de paládio e 130 quilos de cobre. Segundo o relatório, em 2007, mais de 1 bilhão de celulares foram vendidos em todo o mundo, um aumento de 896 milhões em comparação a 2006.
Especialistas no setor apontam que em 1 tonelada de PCs existe mais ouro do que em 17 toneladas de minério bruto do metal. Por isso, é fundamental que a sociedade se mobilize para encontrar alternativas para lidar com essa realidade.

Alternativas viáveis
Um exemplo de trabalho na área está sendo realizado pelo Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática (CEDIR) da Universidade de São Paulo (USP), um projeto pioneiro no setor público iniciado em dezembro de 2009 e que se tornou uma referência nacional no tratamento adequado de resíduos eletrônicos.
Em um galpão de cerca de 400 metros quadrados, localizado no campus da Cidade Universitária, em São Paulo, o CEDIR recebe CPUs, monitores, teclados, mouses, estabilizadores, no-breaks, impressoras, telefones, celulares, fios e cabos, CDs, DVDs e pequenos objetos como câmeras fotográficas, pilhas, baterias e cartuchos descartados pela comunidade. Mas nem pense em levar a sua geladeira velha: eles não recebem eletrodomésticos.
Os equipamentos que ainda têm condições de serem reaproveitados passam por uma reforma e são encaminhados para projetos sociais cadastrados sob a forma de empréstimo, ou seja, serão devolvidos ao CEDIR no fim de sua vida útil.
Os equipamentos que não podem ser reaproveitados são desmontados, e as peças ou são separadas e encaminhadas para recicladores, ou são utilizadas como reposição para outras máquinas.
Desde a sua inauguração, mais de 600 equipamentos, entre computadores e impressoras, já foram cedidos tanto para unidades da USP como também para entidades sociais cadastradas.

Inclusão digital e geração de renda
Uma das entidades contempladas foi o Clube de Mães Novo Recreio, na periferia de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo.
Desde 2010, graças aos 20 computadores recebidos via empréstimo do CEDIR, crianças, jovens e adultos da comunidade passaram a ter aulas de informática, levando a inclusão digital a um lugar onde o asfalto ainda não chegou.
Outra vertente do trabalho é a capacitação de catadores de material reciclado. Em 2010, o CEDIR e o Instituto Gea Ética e Meio Ambiente foram contemplados por um projeto da Petrobras que está possibilitando o treinamento de catadores para a reciclagem correta de eletrônicos.
Especialistas da área contam que, para desmontar monitores e televisores de tubo, muitos catadores simplesmente dão marretadas no equipamento. O problema é que, fazendo isso, o chumbo e o fósforo que compõem esses equipamentos são liberados, contaminando o ambiente e as pessoas. O curso visa a capacitação de catadores para lidarem com lixo eletrônico sem prejudicar a si mesmos ou a natureza.
Fonte: Inovação Tecnológica
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“Para cada saco de lixo produzido em nossas casas, outros 60 foram gerados antes”, estimou o sociólogo Maurício Waldman, ao se referir aos centros urbanos, que geram apenas 2,5% de resíduos produzidos no planeta – o que representa quatro bilhões de toneladas ao ano. Dos 30 bilhões de toneladas/ano de lixo lançados no mundo, a maioria é produzido pelos setores de pecuária, agricultura e mineração
Segundo Waldman, também doutor em geografia e autor do livro “Lixo – Cenários e Desafios”, indicado ao Prêmio Jabuti em 2011, na categoria Ciências Naturais, apesar de representar a menor produção de lixo no planeta, os resíduos sólidos urbanos são um problema para países emergentes.
“Nós mandamos para a compostagem apenas 2% do lixo orgânico urbano e reciclamos 13% da parte seca”, afirmou o sociólogo ao comparar o Brasil com a Índia, que faz compostagem de 65% des seus resíduos orgânicos. “Agora se fala em políticas para lidar com o metano, gás gerado nos aterros. Mas temos de evitar que ele seja gerado, mandando o mínimo possível para o aterro”, frisou.
O Brasil, que abriga 3% da população mundial, é responsável por 5,5% do lixo do planeta. “Em parte porque o país está exportando commodities como minério, grãos, carne, etc. A mineração é responsável por 38% do lixo gerado no mundo e a pecuária e agricultura, juntas, por 58%”, assegurou Waldman.
Elo entre reciclagem e catador
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) calculou o prejuízo de um sistema de coleta e de reaproveitamento de resíduos em R$ 8 bilhões/ano. Já o professor Sabetai Calderoni, autor do livro “Os Bilhões Perdidos no Lixo”, estimou que os déficits somam US$ 10 bilhões ao ano.
“Daria para fornecer cestas básicas mensais para todas as famílias pobres do país e ajudá-las a pagar a prestação de uma casa popular”, constatou Calderoni, que comentou sobre as vantagens que as regiões de reciclagem têm em relação aos aterros. “Elas ocupam uma área mil vezes menor que um aterro e a vida útil não acaba nunca. Além disso, o aterro tem de ser monitorado por anos após ser desativado”, explicou o professor, que é presidente do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (IBDS) e participou da elaboração da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS).
Waldman destacou a importância dos catadores na cadeia de reciclagem. “Eles coletam 90% do material que retorna para a cadeia produtiva. Sem os catadores, teríamos mais 7 milhões de toneladas ao ano de lixo seco sendo desperdiçado no País.”
A PNRS tenta inserir os catadores, que geralmente vivem em situação de risco, formalmente na cadeia. Apenas 142 municípios brasileiros mantêm convênios com catadores, de aproximadamente cinco mil.
Fonte: Setor Reciclagem
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